Para mim fica um pouco dificil de falar desta pré adolecencia, pois quando chegamos aqui neste lugar era muita mata não que eu não gosto de arvore e sim brigo por elas, mas faltava tudo para uma vida digna um monte de criança, sem nada para uma vida comum tudo ficou para traz.
Chegamos aqui no dia 22 de junho de 1982, neste dia estava sol apesar de ser inverno estavamos em férias escolares, não me lembro direito como acordamos para se preparar para vir para ca, mas me lembro que durante o dia meus pais e até os vizinhos se mobilizavam para levar as coisas para os caminhões sim foram dois caminhões que conseguiram para trazer as coisas, um de construção e o outro de um senhor que fabricava moveis e muitas das coisas acabaram doando, porque não coube para trazer e nós viemos no próprio caminhão, enquanto estavamos separando as coisas eu acabei machucando meu pé em um prego e passei a ter dificuldades para andar. Ao chegarmos aqui não tinha pessoas para nos ajudar e amigos e vizinhos como em SP, mas antes de chegarmos em nossa rua por graça de Deus conhecemos o irmão João do Monte e nos ajudou, pois o caminhão quebrou um bairro antes na subida para a nossa rua, aqui as ruas eram todas de terra, e tivemos que esperar por um tempo em um barzinho destes de interior para depois seguir de viagem a pé, no qual eu tinha que ajudar a minha mãe a levar meus irmãos eram de colo, e os outros que tinha que dar a mão, por serem pequenos também mas que caminhavam. Chegamos em Itapevi com oito irmãos sendo dois bebes um de um ano e o outro de dois anos, e com outras crianças de quatro a dez anos e eu e meu irmão mais velhos ele com 13 e eu com onze.
Agora chegando a minha luta de adolescencia começa, no qual eu sempre gostei de ajudar a minha mãe, mas nosso trabalho já estava amenizado a gente já tinha como já contei antes as coisas dignas no barraco (casa de madeira) na cidade de SP, já aqui o barraco era de dois comodos sem piso e sem agua, luz, e nada, por sorte que pelo menos a mina de agua, embora derivada de um corrego era no fundo do quintal, e neste lugar que passei mais de sete anos de minha vida. Quando chegamos eu fiquei em casa com minha mãe e as crianças a minha mãe do nada ficou muito doente e com muita dor de cabeça forte, não tinhamos alimentos, fiz o que foi necessário para ajudar naquela noite, no outro dia fui para a mina lavar louça e ajudar no que foi necessário.
Logo conhecemos um pastor que nos direcionou a igreja dele ele como nossos pais também tinha muitos filhos acho que uns doze, e ele nos ajudava no pouco que podia, eu na outra semana fui para a escola que ficava em outro bairro e comecei a estudar lá o que eu achei melhor da escola que era uma escolhinha do interior e que as pessoas não faziam tanto bule é claro que tinha alguns meninos violentos que as vezes queriam bater nos meus irmãos, mas tinha uns que eram muito legais que os defendiam e até os ajudavam, mas infelizmente meus irmãos não quiseram mais estudar, é claro porque não tinham condições de comprar material eles até arrumaram algum trabalho foram vender no trem como as pessoas iam, mais aqui era tudo mais perigoso que em SP, foram muitos livramentos que Deus deu para eles, porque era muito dificil, as vezes até os critico, mas vejo que da um sentimento de tristeza quando se olha para traz, lugar insalubre sem oportunidades, porque dizem que na periferia não tem oportunidade, é claro que agora mudou muito lá, mas naquela época tinha muita tinha um mercado perto para fazer bico, tinha onibus perto para se ir para a cidade e aqui estavamos ilhados o unico meio de transporte era o trem e além do mais muito perigoso e longe de se tomar.
Agora falando de mim a minha vida era levantar bem cedo, levar meu irmão na escola descer para a mina para lavar louças, pegar lenha fazer café ou chá no fogão de lenha para meus irmãos, detalhe muitas vezes acabavamos ficando praticamente o dia inteiro sem comer, muitas vezes meus irmãos saiam para a rua que faziam amizades com pessoas do lugar e quando chegavam em casa não tinha o que comer, porque as vezes eu fazia um pouco de coisa e dava para as crianças comerem em uma bacia todo mundo junto se eles tivessem junto comia se não ficava sem as vezes uma farinha misturada com feijão, uma sopa de broto de feijão, um fuba com folhas de mato tipo serraia, estas coisas agora chamamos de panc, comentamos como plantas boas, mas na nossa época era o unico alimento e se achassemos, as vezes comiamos, só chuchu, ou então quando tinha abóbora, mandioca, caxixi, entre outros alimentos que com o tempo meus pais plantavam aos poucos até chegar, o feijão e milho, teve uma época que minha mãe plantou tanta verdura que eu colhia uma verdura chamada almeirão que era tanto que eu cheguei a me chamar de menina do dedo verde, mas quando a terra resolvia secar e não dar nada não tinhamos nada para comer. Mas isto que estou falando foram no decorrer dos anos que se seguiam que meu pai, dividia seu tempo em procurar bicos para fazer, pois não conseguia emprego e em explorar a terra para plantar, ele ia abrindo a terra, e ao mesmo tempo plantando e eu ajudava a colher madeiras para fazer de lenha no fogão, tinha tempo que meus pais desistiram do fogão de lenha e desmancharam, mas o gaz sempre acabava eu eu mesmo implovisava no quintal e quando minha mãe chegava dos trabalhos eu já tinha dado um jeito e preparado algo para as crianças comerem, mas as vezes não tinha nada e ela doente não tinha como ganhar e meu pai sem encontrar bico, chegamos até a pedir nas igrejas, mas infelizmente nos negavam, porque diziam que a dispensa estava fazia, mas muitas vezes estavam eram muitas familias para cuidar e poucos que levavam na campanha do quilo. Todo este sofrimento foi passado por uns sete anos, para se cumprir a palavra que se mudassemos para aquela cidade, seriam sete anos de fome.
Mas de volta ao primeiro ano que chegamos, chegamos em uma época de inverno que logo ficou rigoroso, porque aqui era tudo mato, e iamos para a escola com muito medo, porque aqui tinha uma ventania terrivel que parecia que os fios iam voar nos posts, e eu terminei aquele ano a quarta série até que foi bem que o estudo era um pouco atrasado para SP, mas quando fui fazer a quinta série com doze anos, meus pais me colocaram para trabalhar em casa de familia a principio na dona Sakiba mãe da Valmir que eu no começo não queria ir por medo, mas depois acabei gostando muito delas, eu ia somente nos fins de semana para lavar louça, o primeiro dia minha mãe ensinou o andamento da casa depois eu me acostumei. O povo antigo tinha mania de fazer faxina no sabado e lavar todos os aluminios e dar brilho e depois ir mantendo na semana e eu fui para lá para fazer isto para lavar todas as panelas, mas depois fui aprendendo o desenvolvimento da casa e fazia outras coisas também como limpar a casa. Com o tempo fui caindo nas graças delas no qual me pediam para ajudar a preparar a ceia de natal também entre outros trabalhos, foi estas pessoas que por muitos anos me ajudou a se vestir, pois me doava sempre roupas, eu fui para lá o primeiro dia na sua casa minha mãe me levou a casa dela ficava nas perdizes em SP, e tinha que pegar o trem descer na barra funda e ir até a casa dela, nesta casa eu fiquei trabalhando até os meus 17 anos sempre neste periodo de fim de semana e por algum tempo na semana também. Na semana eu fazia vendas de produtos de catalago e também as vezes trabalhava em outras casas, também quando não tinha lugar para trabalhar ficava em casa cuidando de meus irmãos para minha mãe trabalhar que ela também fazia bicos. Em casa as vezes ela costurava, e fazia bolos, mas era mais pra nós quando ela conseguia algum dinheiro com seus bicos, ai iamos em Osasco em um culto da Deus amor pela manhã onde ela me levava para cantar lá e depois iamos nas lojas de tecidos comprar tecidos para ela fazer algum vestido ela gostava muito de tecidos com flores, ou o antigo chitão que o povo falava. Nesta de eu cantar ja falei aqui no blog, chegaram a me convidar para gravar mais ela não deixou, eu nunca me importei muito com isto, ficava com tudo guardado dentro de mim, como estava falando de minha pré adolecencia eu acabei seguindo e já escrevendo sobre a adolencencia, pois a vida passou muito rápido e cheio de problemas, um dos problemas que eu passei que foi muito ruim que hoje eu tenho raiva de ver pessoas postando videos lavando cabelo com sabão de solda ou detergente para fazer conteudo, gente eu antes de começar a trabalhar na Valmir eu não tinha shampoo nem eu nem minha irmã e tinhamos que lavar nossos cabelos quando tinha sabão em pedra ou então só molhar com agua, a sorte como já disse que o pessoal não fazia tanto bule na escola, porque sim iamos sebosos para a escola sem tomar um banho direito, porque não tinhamos chuveiro nem banheiro, as vezes nos lavavamos na bacia dentro de casa, e quando eu ia para a Valmir la tomava um banho descente com Shampoo que eu já comecei a comprar e sabonetes ela mesmo me dava. Embora não tinha muito bolee na escola mas as vezes as amigas jogavam sim umas piadas falando de quem ganhava sabonetes e shampo de presente era porque estavam nos mandando tomar banho, mas eu acho que ja estava tão calejada com as coisas que eu já nem ouvia, o tempo foi passando e eu passei a trabalhar em outras casas junto como já dito e um dia, mesmo eu fazendo tudo isto eu já com quatorze anos, embora eu trabalhando meus pais as vezes fazendo bicos porque emprego ninguém conseguia, a gente ainda estava na miseria o que ganhava era muito pouco dava graças a Deus quando a dna Sakiba dava um saco de pão no sabado duro, que levava pra casa e na semana tomava café com as crianças esquentando na frigieira no óleo, lembro um dia que foi terrivel, meu irmão Samuel (in memorian) já era tarde e ele chorava por comida e não tinha o que dar meu pai tinha saido e chegou e começou a me dar bronca, por não ter feito nada, mas eu não tinha o que fazer e ele trouxe um leite naquele tempo se vendiam leite por saquinho eu fiz um mingau de fuba e fui dar para ele e na hora ele chorando muito eu esfriando o mingal e peguei ele no colo ele enfiou a mão dentro do mingal e queimou os dedos pensa na dor da criança com fome e com dedos queimado.
Uma coisa eu dou graças a Deus que com todo este sofrimento nunca nossa casa de madeira pegou fogo, e também nunca estourou nenhuma panela de pressão em minhas mãos nem de ninguém em casa, as panelas de pressão, por exemplo, as vezes não queria pegar e eu costurava a borracha conforme minha mãe ensinava porque elas ficavam froxas e colocava pedaços de papeis para segurar e fazia a comida forçando elas até pegar a pressão. Muitas vezes a minha mãe estava trabalhando ou na roça e eu estava sozinha em casa com as crianças e Deus nos guardava. Mas voltando ao dia fatidico, quando minha mãe foi lavar roupa na mina e ela ouviu as mulheres que também lavavam roupas lá junto falando que ela tinha uma moça grande em casa e vivia na miseria e não punha para trabalhar, gente isto pensando hoje em dia em preno século XX é revoltante, como se eu já arriscava há tres anos minha vida indo pegar condução sozinha e trabalhar em casa de familia, e olha eu nunca contei para minha mãe mas muitas vezes eu era acediada na rua, exemplo disto uma vez indo para a escola de datilografia porque eu não era uma pessoa parada, eu era ativa na igreja, ia para a escola e não faltava ia em reunião de cursos que inventavam para adolescente com meus irmãos e pessoas de bairro uns tal de guarda mirim, fazia datilografia e eu pagava com o pouco que ganhava em casa de familia, comecei desde oito anos de idade já quando estava em SP, a lavar louça nas casas de familia em troca de ganhar sapatos, e roupas, e até brinquedos, as pessoas pediam para minha mãe para mim lavar aluminios deles que eu era uma exima lavadora de aluminio já com oito anos de idade, minha mãe ensinava a lavar aluminio que tinha que virar espelho. E as pessoas falar isto, a minha mãe poderia ter calma e não ter ouvido as falas das pessoas e manter eu no ritimo que estava afinal eu estava cursando datilografia logo poderia conseguir um trabalho de datilografa em algum lugar que depois no futuro cheguei a conseguir, mas não ela no impulso me levou a procurar serviço no outro dia de madrugada, e por falar em madrugada uma coisa que eu gostava de fazer hoje não guento era levantar de madrugada eu achava interessante pegar o trem de madrugada, nem pensava o quanto era perigoso, achava que era muito responsavel, mas voltando a minha mãe me levou na Lapa e lá pegamos o jornal o amarelinho gratuito e fomos ver emprego e logo vi uma vaga precisa se de menores até 15 anos para distribuir panfletos, gente isto foi a maior farça de trabalho que faziam antigamente. Minha mãe me levou até o local no alto da Lapa e lá passei a trabalhar no outro dia onde fui com um amigo de meu irmão e com meu irmão Moises, e as 11hs horas o dia estava chuvoso e depois ficou sol, nós voltariamos para casa, e na hora que o motorista foi fazer a curva correndo a perua abril a porta e eu cai para fora, e bati a cabeça na guia, calsando uma lesão onde fui parar no hospital, ali perdi muito sangue que saia pela boca e ouvido, ainda bem que saiu que se tivesse ficado dentro teria morrido.
Continua no próximo capitulo.
