Minha infância na Vila Penteado e no Elisa Maria – saudades
Um pouco da minha infância
Este texto faz parte da série “Memórias da minha infância”.
Os relatos foram escritos em diferentes momentos da minha vida e organizados aqui para facilitar a leitura.
Se estivessem vivos, seria aniversário do meu pai e da minha tia Ciça. Falei hoje com meu primo Maurício, mas nem comentei isso com ele, pois ele está mais triste que eu. Não que eu não esteja triste, mas faz pouco tempo que a mãe dele se foi. A minha mãe já faz três anos que partiu e meu pai já faz dezessete anos. A mãe dele faleceu há cinco meses, então ainda é muito recente.
Se meus pais e minha tia estivessem vivos, hoje seria aniversário deles. Mas Deus achou por bem levá-los. Pensando bem, do jeito que o mundo está, com tanta ganância, corrupção e pecado, eles talvez estejam melhor do que nós.
O meu nascimento
Então vamos à história.
Nasci em 03 de fevereiro de 1971. Minha mãe conta que, quando eu nasci no Hospital da Vila Mariana, em São Paulo, me trocaram no hospital. Mas ela já tinha me visto logo após o nascimento. Quando percebeu a troca, devolveu a outra menina e me pegou de volta.om muita raiva do hospital, ela saiu de lá comigo enrolada apenas em uma fralda, porque ainda não tinham levado minhas roupas. Pegou um ônibus, mas acabou indo parar em Santo Amaro, pois pegou o ônibus errado.
Lá, perguntando para algumas pessoas como voltar, um senhor evangélico lhe deu um dinheiro. Com isso, ela conseguiu pegar o ônibus correto para casa, onde morávamos na Vila Penteado, em São Paulo.
Como não tinha sabonete naquele momento, foi com esse sabão mesmo que ela me lavou. A partir dali, passou a cuidar de mim.
A fé dos meus pais
Minha mãe já servia a Deus na Igreja Assembleia de Deus. Meu pai aceitou Jesus quando eu tinha cinco anos. Desde pequena meus pais me levavam sempre para a igreja.
Quando eu tinha uns seis anos, vivia pedindo para cantar na igreja. Eu queria cantar no altar
Lembranças simples da infância
Quando eu tinha uns quatro anos, minha mãe mandou tirar uma foto minha. Eu estava com um vestido vermelho de bolinhas brancas. Ela deu essa foto para minha tia, que escreveu uma mensagem atrás.
Essa foto ficou guardada por muitos anos. Alguns meses antes de minha tia partir, ela pediu que a foto fosse entregue para mim.
Naquela época éramos quatro irmãos morando na Vila Penteado. Minha mãe trabalhava em casa de família. Antes de sair, ela deixava os pratos de comida prontos e avisava que, quando desse 11 horas, e a pedreira fizesse barulho, era o momento de almoçarmos.
E assim a gente fazia.
Lembro que minha mãe gostava muito de fazer doces. Eu subia em uma cadeira ao lado da mesa e lavava a louça em uma bacia, porque naquele tempo não tínhamos pia.
Uma das coisas que eu gostava de fazer era subir nas pedras no fundo do quintal para ver a casa da minha avó, que ficava lá na baixada.
Mudança para o Elisa Maria
Meu pai, como já contei, aceitou Jesus quando eu tinha cinco anos. Logo depois nos mudamos para o Elisa Maria, depois que minha mãe já tinha meu irmão Elias, com uns seis meses e estava grávida de poucos meses de meu outro irmão Eliseu. No total ela já tinha cinco filhos.
Eu estava com cinco anos e alguns meses quando fomos morar nesse bairro. Fomos para um terreno que, com o tempo, acabou se tornando uma favela. Com o dinheiro da venda do terreno da Vila Penteado, meus pais compraram um terreno em Itapevi.
No Elisa Maria não tínhamos água em casa, nem poço como na Vila Penteado. Precisávamos ir longe buscar água em uma mina. Para chegar até lá era preciso pular um riacho. Ele era fino, mas muito fundo, e eu tinha muito medo de cair nele.
Pessoas que marcaram aquele tempo
Lá moravam algumas pessoas muito boas, de quem minha mãe gostava muito. Uns dias antes de minha mãe morrer, ela me disse:
— Eu queria voltar para o Elisa Maria.
Eu perguntei por quê. Ela respondeu que era por causa das amigas que tinha lá. Eu disse que provavelmente elas não estavam mais lá. Pouco tempo depois minha mãe também partiu.
Moramos nesse lugar por cerca de seis meses.
Depois começou um movimento dizendo que aquela área seria desabitada. Uma amiga da minha mãe foi com ela procurar outro lugar para morarmos, no Jardim Vista Alegre.
Durante essa caminhada, que fizemos a pé, minha mãe pisou em um espinho. Depois disso começou a surgir uma variz ferida em sua perna, enfermidade com a qual ela lutou por muito tempo.
Com o tempo nos mudamos para o Jardim Vista Alegre. Nessa época eu já tinha quase sete anos, e minha mãe já tinha tido o Eliseu, meu sexto irmão.
Essa parte da história do Jardim Vista Alegre conto na próxima postagem.
Vamos ler um pouco da Bíblia?
Gênesis 22:2
📝 Nota da autora
Este texto faz parte da série sobre minha infância.
Outras lembranças desse período, escritas em momentos diferentes, podem ser lidas aqui:
– Episódios da minha infância: memórias, livramentos e a mão de Deus




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