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Minha infância (Parte 3): memórias de luta, fé e sobrevivência

Minha infância – memórias de luta, fé e sobrevivência

 “Em cada capítulo deste blog compartilho relatos de uma infância marcada pela simplicidade, pelo trabalho precoce, pela fé e pela luta diária para sobreviver em meio às dificuldades — onde cada degrau representava resistência e esperança.”


No Jardim Vista Alegre passamos a morar, como dito no capítulo anterior, no primeiro dia embaixo de uma cabana. Depois, os irmãos da igreja da qual participávamos, no Elisa Maria — Assembleia de Deus Ministério do Belém, dirigida pelo Pastor Lourival —, entre eles o irmão Sebastião e outros, foram ajudar meu pai a construir o barraco.

Esse barraco tinha dois cômodos e, no fundo do quintal, havia um banheiro fora de casa. Para chegar até ele, subíamos alguns degraus de uma escada de terra. Lá ficava o banheiro, com a fossa: um assoalho de madeira com um buraco no meio.

Não tínhamos chuveiro nem água encanada. A água buscávamos em uma mina, perto de um córrego. Nesse meio tempo, meu pai cavava um poço para termos água em casa, e minha mãe colocava grandes tambores e uma banheira que havíamos ganhado, onde, em época de chuva, armazenava água. Essa água era usada para lavar louça, roupa e para o banheiro. Para beber, buscávamos água no poço de uma vizinha próxima.

Em época de calor, às vezes minha mãe não estava bem, pois tinha uma ferida no pé. Nessas ocasiões, ela pagava um jovem para buscar água e encher essas vasilhas. Quando estava melhor, ela mesma ia até a bica e ficava quase o dia todo lavando roupas. As louças, quando traziam água, muitas vezes eu mesma já lavava em casa.

Com o tempo, minha mãe foi melhorando e logo começou a trabalhar fora. Meu pai também finalizou o poço, e logo já tínhamos água e luz elétrica. No início, usávamos vela e lamparina. Depois, minha mãe conseguiu puxar energia de um poste que ficava na casa da vizinha de cima, que emprestava luz para todos os barracos e para as casas da rua de baixo. Naquele tempo, a Light não cobrava energia tão caro quanto hoje. Mais tarde, quando a energia chegou oficialmente à rua de baixo, cada pessoa colocou seu próprio poste.

Minha infancia na escola

Comecei a estudar logo que chegamos, no pré. Íamos de shorts vermelho, saia e camisa branca, meia branca e conga vermelho. Na escola, sentávamos em bancos cor de abóbora e rabiscávamos mesas da mesma cor. A escola era legal, tinha muitas brincadeiras, mas eu não queria ficar lá. Chorava demais e queria ir embora, seja com minha mãe, meu pai ou com alguma pessoa que eles pediam para me levar à escola. Isso foi nos primeiros anos.

Quando eu estava com oito anos, já ia sozinha para a escola, para o mercado, padaria, açougue e outros lugares que minha mãe pedia. No primeiro ano, tive um professor cujo nome não lembro. No segundo ano, passei a faltar muito, pois minha mãe estava muito doente. Ela estava grávida e com problemas de alergias e outras coisas que nem ela entendia, que não a deixavam sair da cama.

Eu, com apenas oito anos, tinha que ajudar a cuidar da casa, da comida e dos meus irmãos. Muitas vezes não conseguia ir à escola. Deus preparou algumas pessoas que começaram a nos ajudar, mas infelizmente foi um pouco tarde, pois acabei repetindo de ano. Outro fator que contribuiu foi que a professora saiu de licença, e quando eu ia à escola havia muita troca de professores. Lembro de um episódio em que uma professora, em vez de dar aula, ficava passeando de um lado para o outro.

Já naquela época sofríamos muito bullying, eu e meus irmãos. Cheguei até a ser apedrejada. Em um desses episódios, um garoto começou a me xingar e me ameaçar de bater. Eu disse:
— “Por que você não fala isso na frente da professora?”

Quando a professora chegou, ele distorceu o que eu tinha falado, e a classe o defendeu, a ponto de a professora me bater. Fui para casa e contei à minha mãe. Quando ela melhorou, foi à escola falar com a professora, que negou tudo. No fim, acabei repetindo aquele ano.

No ano seguinte, tive uma nova professora muito boa, chamada Salete. Às vezes ela tinha uma Brasília e queria me levar para casa. Eu tinha vergonha de dizer que morava em um barraco e pedia para ela parar em uma casa abaixo da minha rua. Como é curioso: desde criança já carregamos nossas vergonhas.

Nesse novo ano, passei para o terceiro e depois para o quarto ano. Ainda sofria perseguições, mas já tinha algumas amigas, como a Luciana e a Rogéria — uma moça de 15 anos que já tinha namorado, algo comum naquele tempo. Pessoas mais velhas estudavam junto com crianças, pois muitos começavam a estudar tarde, depois dos nove ou dez anos. Isso era difícil, porque muitos “marmanjos” praticavam bullying com os menores, especialmente por ser uma escola da favela.

Lembro de um episódio em que várias pessoas saíram me perseguindo pela rua e me apedrejando. Dou graças a Deus porque nenhuma pedra me acertou. Muitas vezes eu chegava atrasada à escola e ficava perambulando pela rua para não entrar até a hora de ir embora. Às vezes ia para a casa de uma menina chamada Luciana ou de outra chamada Cláudia, lá nas pedreiras. Um dia, Cláudia me levou até lá para conhecer. Vejo nisso a mão de Deus me dando livramentos.

Certa vez, minha mãe me viu quando eu estava indo para o caminhão do mercado Cobal — veículos que eram colocados em pontos estratégicos para vender alimentos mais baratos às comunidades carentes. Ela me levou para casa, e meu pai me bateu. Eu nunca contei a eles que fugia da escola por causa do bullying. Na época, nem existia esse nome; só sabíamos que apanhávamos.

Lembro de um dia em que estava chovendo e jogaram meu irmão Moisés, com roupa branca, no meio da lama e bateram muito nele. Se não fosse a mão de Deus, ele poderia ter morrido.

Depois disso, uma família mudou para uma casa em frente à nossa, com várias meninas e um jovem mais velho. Esse jovem passou a cuidar de nós, levando e trazendo da escola a pedido da minha mãe. Com isso, conseguimos estudar melhor, pois ele era mais velho e os outros tinham medo.



Minha infância em casa: a convivência com meus pais e meus irmãos

A minha infância em casa, apesar de termos que ajudar nossos pais, para mim não era pesada, pois meus pais não eram ignorantes no quesito de nos fazer trabalhar à base de pancadas. Não éramos espancados, e sim cuidados.

Na época, levantávamos sempre muito cedo e íamos para a escola. Às vezes, meus irmãos iam trabalhar de carrinho de rolimã na feira; eles mesmos criavam seus carrinhos. Meus irmãos eram muito inteligentes. Depois, quando estávamos em casa, ajudávamos na limpeza e no cuidado com os irmãos menores. Eu era a que mais cuidava de lavar a louça, por exemplo.

Sempre fazíamos as coisas cedo para depois brincarmos, mas às vezes a gente vacilava. Esquecíamos os pequenos dormindo, e algumas vezes eles caíam da cama; ainda bem que o chão era de terra batida. Depois meu pai cimentou, e aí o cuidado teve que ser redobrado.

Às vezes ficávamos brincando e esquecíamos de cuidar da casa, e quando víamos que nossa mãe estava para chegar, corríamos para fazer o serviço. Mas nem sempre dava tempo, e acabávamos fazendo pela metade. Ela às vezes ficava um pouco brava, como em uma vez em que tentei agradá-la colocando flores nos seus bules, e ela acabou quebrando sem querer porque estava nervosa. (Eu sempre tentei comprar louças assim para dar para ela, mas nunca mais consegui.)

Nesse dia, eu mascarei o serviço colocando cobertas sem dobrar sobre as camas, e isso a deixou chateada. Mas, no geral, eu ligava o rádio em programas evangélicos e limpava toda a casa.

Na medida em que fui crescendo, fui melhorando. Era muito sofrimento para ela, que às vezes estava muito doente ou com a ferida aberta no pé. Quantas vezes, para não deixar de lavar roupa, ela colocava uma bacia sobre uma cadeira, sentava em outra, apoiava o pé em uma terceira à frente, e assim lavava a roupa à mão. Nós pegávamos água para ela, eu enxaguava e colocava no varal.

Tinha vezes em que usávamos uma banheira grande (daquelas de casa). Na época, meus pais ganhavam muitas coisas para construção, mas infelizmente acabaram dando depois que nos mudamos. Usávamos essa banheira para enxaguar roupas e colocar no varal. Às vezes também usávamos para brincar; meus pais deixavam. Teve vezes em que brincávamos nela até debaixo da chuva, com a água caindo da calha.

Enfim, quase sempre meu pai levava irmãos da igreja e amigos em casa, e um deles nos deu uma pia de lavar louça de pedra de mármore, daquelas com pedrinhas aparentes, não pintadas, eram pedras mesmo. Minha mãe, quando estava bem, sempre a deixava muito branquinha. Isso facilitou para nós lavarmos a louça, a princípio com a mangueira do poço, porque o poço já tinha dado água.

Meus irmãos, principalmente o Moisés, sempre puxavam água do poço. Deus o guardava de muitos acidentes, inclusive uma vez em que o sarrafo (madeira usada para colocar a corda no poço e puxar a água) voltou e não bateu na cabeça dele.

Com o tempo, meus pais colocaram bomba no poço e, logo depois, veio também a água da rua. Passamos a ter torneira em casa, e eu lavava a louça na pia com a torneira.

Às vezes minha mãe ia trabalhar e meu pai ia para a igreja, e quando eles não traziam mistura, eu pegava chuchu do pé que eles sempre plantavam, preparava a comida, dava banho nas crianças, dava comida e colocava todos para dormir.

Mas, quando era para eu dormir, só dormia quando minha mãe chegava. Meu pai às vezes falava:
Vai dormir, menina.

Eu ficava acordada, às vezes chorando, porque minha mãe demorava. Eu era a mais velha e também a mais chorona.

Não coloquei aqui, mas quando eu era menor vivia sonhando com minha mãe morrendo com uma escova, como se a escova se tornasse algo que entrasse na garganta dela e ela morresse. Mal sabia eu que isso era um sinal de que ela morreria com um tubo na garganta, pois ela faleceu entubada em 2019.

Acredito que era um sonho de aviso, mas nunca contei esses sonhos para minha mãe. Creio que isso explique também por que eu chorava tanto quando ela saía e demorava, principalmente à noite, época em que ela trabalhava no período noturno.



Minha infância na igreja

Minha infância na igreja era diferente da escola. Meus pais frequentavam igrejas pentecostais, ainda não eram batizados. Eu quase não sabia louvores de cor, apenas alguns corinhos, mas adorava pedir para cantar. Uma vez, vi uma folha de um louvor caída no chão da harpa, com partitura. Eu sabia ler a letra, mas não o tom, então inventei um e cantei.

Meu pai passou vergonha certa vez. Como minha mãe estava doente, eu não conseguia pentear o cabelo, enchi-o de grampos e fui para a igreja. O Pastor Lourival me chamou para cantar, colocou uma cadeira para eu alcançar o púlpito. Quando chegamos em casa, meu pai ficou bravo e disse:
— “Essa menina só me faz passar vergonha.”

Hoje não quero julgá-lo. Ele já dorme no Senhor (in memoriam). Era o jeito deles.

Cresci indo atrás dos meus pais nas igrejas. Uma vez, minha mãe me levou com meu irmão à Igreja Brasil Para Cristo, na Pompeia, do Missionário Manoel de Mello. Ele era muito humilde, nos colocou no palco, fez perguntas sobre nossa vida, sobre meu irmão que vendia sorvete, sobre meu pai, e sobre mim, que gostava de cantar. Nos deu vários livros da igreja. Foi um dos melhores dias da nossa vida.

Na casa da minha avó também havia uma pequena igreja no quintal, com cultos aos sábados. Eu louvava a Deus lá também, inclusive o Salmo 100, que minha avó gostava muito.


Vizinhos e convivência

Tínhamos vizinhos muito bons, como Dona Cida e Dona Maria (ambas já falecidas), Dona Graça, mãe da Sônia e da Cíntia, que está viva até hoje. Meu irmão Moisés orou por ela quando estava doente, e ela foi curada.

Mas também havia vizinhos difíceis. Uma senhora nos aterrorizava, jogava pedras no barraco, envenenava nossos animais e nos xingava muito. Ela acabou falecendo. Um menino que me odiava e me xingava muito mais tarde foi nos visitar para pedir perdão.


As comidas da minha infância

Minha mãe fazia muitas comidas. Nos aniversários, preparava bolos enormes, tortas de banana, balas e balas de coco. Para o dia a dia, arroz, feijão, linguiça, peixe, frango. Fazia massa de tomate, leite de soja, bolachas de trigo abertas com garrafa de vidro.

Uma vez, meus pais ganharam um porco do meu avô. Minha mãe fez tanto torresmo que comíamos toda hora. Também fazia cocada, geladinhos e outras coisas para vender.


Essas são algumas lembranças da minha infância — algumas tristes, outras alegres. Aos onze anos, em 22 de junho de 1982, nos mudamos para Itapevi. O bairro inteiro se despediu de nós. Minha mãe ficou sentada enquanto as pessoas se despediam, e meu pai colocava as coisas no caminhão. Foram dois caminhões. Muitas coisas tivemos que doar ou acabaram quebrando.

Aqui finalizo esta parte. Nos próximos capítulos contarei sobre a pré-adolescência e como foi morar em Itapevi.

Lembranças de minha infancia parte 2



Hoje comecei a pensar e a lembrar de minha infancia novamente e voltei aqui para registrar, entre as lembranças lembrei acho que ja contei aqui de meu pai que sofreu um acidente, onde ele foi atropelado por uma perua no qual bateu nele e jogou ele por cima dela ele andava de bicicleta, e por misericórdia de Deus ele apenas quebrou uma perna, eu lembro que eu ficava entrando em casa e correndo com meus irmãos brincando no quintal e as pessoas vindo visitar meu pai inclusive meu avô, depois logo ele se recuperou e voltou a trabalhar. Lembro de um episódio de meu irmão que vivia correndo atras de ir com meu pai em alguns lugares, e um dia destes ele pisou no meio do mato em um vidro e cordou o pé e foi aquela correria jogaram pó de café no pé dele para estancar com este procedimento o sangue, ele também ficou alguns dias para poder se recuperar. Lembrei que uma vez nossa familia estava indo para a igreja e tinha uma moça que era filha da amiga de minha mãe não entendo porque até hoje tinha um monte de gente batendo nela e depois ela desmaiou e a levaram para a casa dela, e eu perguntei para minha mãe e ela não me explicou o que era, mas eu pude entender depois que a moça estava embriagada e as pessoas estavam batendo nela, afinal na época  eu era uma criança, mas isto é um aprendizado de entender a quanto tempo existe violencia no mundo contra as pessoas principalmente crianças e mulheres, mas enfim deixa este assunto para lá, vou contar que eu lembrei que tinha a casa de uma outra amiga de minha mãe que se chamava Benedita ela tinha trez filhos, sendo a Hosana, o Ezequiel  o caçula e o Marcos o mais velho, e esta familia a minha mãe de vez em quando deixava eu lá na casa deles e tinha dois comodos e um quintal no fundo e eu sempre ficava brincando no fundo do quintal, tinha o pai deles que já tinha um pouco de idade na época e ele gostava de ficar lavando um monte de panelas, quando não ia para a cidade para vender coisas como canetas, tabuadas, entre outras coisas que era costume da época camelos vender. Ele depois ficou morando por muito tempo na rua eu já adulta e jovem o via as vezes na rua direita em São Paulo quando eu casei o Marcos veio no meu casamento depois ele desapareceu, (assim perdemos o contato) a menina e o outro menino e sua mãe também nunca mais vimos a mãe deles veio em nossa casa a uns quarenta anos atras e também perdemos o contato. O pai deles eu o vi a mais de trinta anos vendendo coisas na rua Direita em São Paulo, já na época de meu casamento seu filho disse que ele tinha se tornado andarilho e depois veio a falecer.

Voltando a históira deste lugar fomos morar no Elisa Maria, lá me lembro que era um lugar sem rua no pedaço que moravamos era um terreno que tinha muita gente morando junto assim: Tinha o nosso barraco (casa de madeira) na frente a da dona Maria mãe do Moises, na parte de baixo tinha uma mulher que acho que se chamava Isabel e tinha um monte de outros barracos, até chegar a um lugar plano que a gente seguia um pouco até chegar o asfalto e na parte de cima de nossa casa era a mesma coisa tinhamos que subir passar por um barranco e lá tinha um lugar plano e depois de andar um tanto descia por uma rua e saia no asfalto do outro lado. No lado direito a gente seguia em frente e saia em um lugar que tinha uma loginha de docê detalhe eu uma criança com cinco anos ia neste lugar para comprar docês sozinha, minha mãe tinha o costume de fazer docê, mas mesmo assim eu gostava de ir comprar alguns, imagina hoje uma criança de cinco anos ir em venda o que acontece, mas enfim os doces que eu mais gostava era suspiro e maria mole, ja desde pequena eu ajudava a minha mãe lavar louça a gente não tinha pia lavava louça na mesa de madeira que meu pai fez (meu pai tinha a arte da madeira com cerrote e madeira ele criava várias coisas, e minha mãe dos doces ),para lavar louça a gente colocava agua em duas bacias no qual ensaboava em uma e enxaguava em outra. A gente não tinha agua em casa a gente buscava em minas bem longe, e também as vezes em riacho, lembro que uma vez eu fui com meu irmão buscar agua em um riacho e estava muito calor e a gente estava voltando e lá tinha uns cavalos e a gente ficou com medo e ficamos aguardando os cavalos passar para ir para casa, também lembrei que neste lugar tinha muita briga das mulheres e era um tal de quebrarem o barraco de uma das outras e também de baterem até quando se juntavam acho que era reunião de bairro não sei direito afinal eu era criança só sei que em uma dessas quase mataram meu irmão. Eu achava que era até por isto que mudamos para o Vista Alegre, mas minha mãe contou depois que era as maquinas da prefeitura que estava passando atras da nossa casa e fazendo reinvidicação de posse porque lá era area verde, mas lá não era muito seguro, meu pai um dia foi para a feira e roubaram todo o salário dele, meu irmão tinha um brinquedo que na época era muito valioso e entraram no quintal a noite nós estavamos acordado esperando meu pai chegar da igreja e roubaram e só Deus para nos guardar que o nosso banheiro era do lado de fora, (fui ter banheiro dentro de casa quando casei, era uma pratica antiga). Ainda com cinco anos comecei a estudar, mas fiquei poucos dias nesta escola, porque mudamos era o pré escola, mas eu tinha muito medo de ficar na escola e chorava muito, para falar a verdade só fui parar de chorar na escola com uns nove a dez anos, depois falo mais sobre isto.  Enfim lembro que ainda naquele ano meu avo acabou ficando muito doente e minhas tias me levaram para o ver no hospital não me lembro o motivo junto com meu pai, mas eu vomitei tanto no onibus que tiveram de voltar do meio do caminho e não conseguiram chegar no hospital e ele acabou falecendo sem nós vermos. Por falar em avo as vezes meu avo ia na nossa casa e levava coquinhos que ele vendia eu acho eu gostava muito e minha avó as vezes ia e ficava olhando no quintal principalmente no verão a gente correr atraz de vagalumes a noite.  Mas uma das lembranças a minha mãe costumava a lavar a roupa mas as amigas dela e um lugar longe e era muito ruim para chegar até lá sei que tinha um tipo de um corrego que eu tinha medo de cair dentro e neste meio tempo meu pai até que estava cavando um poço, mas não deu agua, o vizinho seu José marido da dona Maria ajudava o meu pai e as vezes a gente ia no barraco deles brincar com os meninos eu lembro mais do Moises que era um moço já grande e ele tinha uma vez ganhado um brinquedo de pista de corrida que a gente ia as vezes brincar lá, as vezes iamos para uma igreja que tinha na avenida esta igreja chamava presbiteriana não sei se ainda tem no local, pois me lembro que uma época contaram que caiu um caminhão dentro dela, enfim la era uma grande avenida subindo que dava para o penteado, e sempre acontecia acidentes, lá também as vezes a gente via coisas estranhas, como acho que era época de carnaval que tinha uns homens que andavam na rua com perna de pau. 

Depois disto nós mudamos para o Vista Alegre, no dia que foi para ver o bairro eu fui com minha mãe de a pé, e eu lembro que tinha uma senhora cortando umas batatas sentada na porta do barraco dela e eu fiquei imaginando que ela estava mostrando a faca para nós (olha a imaginação fertil da criança). No Elisa Maria eu tinha entrado na escola no pré, mas fiquei pouco tempo, pois já iamos mudar para o outro bairro - Voltando a mudança (quando mudamos do Parque Belem para o Elisa Maria a minha mãe deixou a gente dormindo na casa da vizinha porque mudamos a noite lembro que um dia ela contou que até roubaram alguns cobertores da gente) Enfim quando mudamos para o Vista Alegre meus pais optaram nos levar juntos e também mudamos a noite, detalhe o barraco (casa de madeira) não tinha sido feito então a gente mudou e meu pai colocou uma grande lona daquelas de fazer tendas e foi onde passamos a noite em baixo, no dia seguinte foram varios irmãos da igreja que pertenciamos e ajudou o meu pai a construir o barraco no qual fizeram um grande comodo de telha parecendo um galpão de fabrica mais não tão grande quanto no qual tinha duas portas e duas janelas e como sempre o banheiro no fundo do quintal, o do Elisa Maria era quase igual dividido com cortinas, e este minha mãe fez um meio de fazer a divisão com os moveis fazendo com que a parte de traz de um movel se juntasse a parte de traz do outro e assim se tornava comodos separados e ela transformou este espaço em quatro comodos, com o tempo meus pais fizeram uma area grande na frente que a principio fizeram de fogão a lenha mais quando ganhamos a nossa primeira pia ela foi instalada no lugar do fogão a lenha, no fundo continuou o banheiro e fizeram mais um comodo que era uma sala e cozinha junto, com o tempo meu pai mudou o banheiro para a frente de casa neste meio tempo já tinha agua de rua. -  Enfim agora vou voltar a falar de episódios que lembro de minha infancia, enfim, quando mudamos para o Vista Alegre não tinhamos agua de rua também como no Elisa Maria, então meu pai passou também a cavar um poço, no qual a minha mãe também tinha que buscar agua na mina e rio para cuidar da casa, mas lavar roupa ela lavava la as vezes eu ia com ela, e lá era um lugar bem melhor que todos que moramos, mesmo que tinha a mesma dificuldade em quesito de agua e luz, mas tinha tudo por perto, mercado padaria, escolas, igreja embora meu pai gostava de ir na do outro bairro, mas iamos nas de perto de casa também, moravamos na beira da rua, mesmo que era de barro, mas em menos de cinco minutos estavamos no asfalto tinha onibus a toda a hora, e era muito facil para meu pai ir para o trabalho de bicicleta. Meu pai me levava as vezes de bicicleta para a escola (ele sempre costumava me levar para varios lugares de bicicleta quando bebe, minha mãe contava que um dia ele acabou caindo comigo em uma poça de agua, mas nada que me machucasse).

Por hoje é só próximo capitulo vou contar lembranças episódios de minha infancia parte final. Continue acompanhando.

A história da minha mãe – um começo marcado por dor e resistência

O que lembro da história da minha mãe desde o seu nascimento é aquilo que ela mesma me contava, e também o que foi passado a ela por sua avó. Hoje, escrevo para registrar essa memória e compartilhar com vocês.

Minha mãe nasceu em 03 de fevereiro de 1948, em Garanhuns, no estado de Pernambuco. Segundo ela me contava, no dia do seu nascimento seu pai estava em Recife, na praia, enquanto sua mãe enfrentava o trabalho de parto sozinha. Desde o início, sua vida já carregava marcas de abandono e sofrimento.

Quando minha mãe tinha apenas seis meses de idade, seu pai decidiu vir para São Paulo, como muitos nordestinos da época, em busca de melhores condições de vida. Aproveitando essa saída, minha avó — sua mãe — decidiu fugir dele, pois ele tinha um histórico de violência. Porém, nessa fuga, levou apenas uma das filhas, deixando minha mãe, ainda bebê, e uma irmã de seis anos sozinhas em casa.

Minha tia, ainda criança, ao ver minha mãe chorando na rede, tentou pegá-la, mas não alcançava. Naquele tempo não existiam berços. Ela acabou derrubando a bebê da rede com um cabo de vassoura. Felizmente, o chão era de terra batida e minha mãe não se feriu gravemente, apenas sofreu o impacto da queda.

Ao descobrir o abandono, a avó paterna da minha mãe recolheu as duas meninas e passou a criá-las da forma simples que podia, na roça e nas feiras de Pernambuco. Meu bisavô também era vivo nessa época. Foi ali que minha mãe cresceu, enfrentando desde cedo uma vida dura.

Ainda na infância, ela desenvolveu bronquite, problema de saúde que a acompanharia por muitos anos. Nunca teve a oportunidade de estudar. Seu avô, a quem ela chamava carinhosamente de “papai”, dizia que escola era coisa para aprender a namorar — pensamento comum entre os antigos.

Desde muito pequena, trabalhou intensamente: em casas de farinha, torrando café, cuidando da roça e vendendo produtos na feira. Minha mãe contava que vendia até caroço de mamona e vidros, algo comum na época, quando havia grande reaproveitamento desses materiais. A mamona era comprada para produção de óleo, e não existiam as grandes indústrias como hoje.

Em algumas ocasiões, enquanto trabalhava na feira, minha mãe encontrava sua mãe biológica. Pedia-lhe, às vezes, um vestido ou alguma ajuda, mas a resposta era sempre a mesma: só teria algo se fosse morar com ela. Minha mãe recusava, pois foi a avó quem a criou desde bebê, e não queria abandoná-la.

Essa avó, apesar de tê-la criado, tinha um temperamento muito duro. Minha mãe dizia que ela era indígena, de origem muito forte, e exigia perfeição em tudo. Se algo dava errado — como quebrar um pote de água ao escorregar com o tamanco — ela quebrava os cacos restantes na cabeça da minha mãe. As marcas ficaram, e minha mãe chegou a me mostrar cicatrizes em sua cabeça.

Além disso, essa avó fazia uso de bebida alcoólica. Ainda assim, foi ela quem ensinou minha mãe a cozinhar, costurar e cuidar da casa. Minha mãe se tornou uma excelente cozinheira, habilidade que a acompanharia por toda a vida.

Mais velha, minha mãe passou a ter um grande desejo: conhecer o pai. Ela dizia que queria conhecê-lo “nem que fosse um toco”, expressão antiga. Sua avó e sua irmã mais velha, já casada — a quem minha mãe chamava de “Bila” e considerava como segunda mãe — não queriam que ela viesse para São Paulo. Sabiam do homem que ele era.

Mesmo assim, após muita insistência, minha avó permitiu que ela viesse, com a promessa de que retornaria. Minha mãe, apesar da bronquite e de um problema sério na perna — causado por uma queimadura grave ao derrubar uma torradeira de café quente sobre o pé — conseguiu viajar.

Ao chegar à casa do pai, seu sofrimento aumentou. Ele não permitiu que ela voltasse para Pernambuco e a colocou para trabalhar na roça, mesmo sendo uma jovem sem experiência, cercada por homens desconhecidos. Sua irmã do meio, que havia fugido da casa da mãe, também morava ali.

Minha mãe se destacou por saber cozinhar bem, algo que aprendeu com a avó e com pequenas orientações que recebia da própria mãe quando se encontravam. Isso despertou ciúmes e intrigas na madrasta e na irmã. A convivência tornou-se um verdadeiro inferno.

A irmã passou a inventar mentiras, dizendo que minha mãe se envolvia com um homem mais velho, trabalhador da roça. Meu avô acreditou nas acusações e, sem dar chance de defesa, obrigou minha mãe a se casar com um homem que ela mal conhecia.

Depois do casamento, a violência piorou. O marido batia nela por qualquer motivo, a trancava em casa e não permitia que ela trabalhasse. Em um momento extremo, ele passou a falar coisas sem sentido, e uma voz saiu de sua boca dizendo:


“Menina, foge, senão ele te mata como me matou.”

Assustada, minha mãe fugiu escondida quando ele saiu para trabalhar. Andou pelo mato até encontrar condução e conseguiu chegar à capital paulista.

Em São Paulo, foi acolhida por uma policial militar, que a ajudou e a levou para uma casa de família. Lá, trabalhou como cozinheira e empregada doméstica. Algum tempo depois, começou a passar mal, sentia desejo excessivo por laranjas, até que a patroa percebeu: minha mãe estava grávida.

Seu pai acabou descobrindo onde ela estava e a obrigou a voltar para casa. Mesmo doente e grávida, voltou para a roça, enfrentando novamente perseguições e maus-tratos.

Quando o parto se aproximava, meu avô disse que, se fosse menino, ele tomaria a criança. Se fosse menina, a expulsaria. O menino nasceu, foi registrado pelo avô e, após o desmame, minha mãe foi expulsa de casa. Sua madrasta e a irmã esconderam a criança para impedir que ela a levasse.

Com poucos trocados, minha mãe voltou novamente para São Paulo, onde trabalhou em casas de família, muitas ligadas a policiais. Sentia profunda saudade do filho. Em busca de ajuda para recuperá-lo, foi levada por uma amiga a um lugar onde conheceu meu pai.

Essa parte da história fica para o próximo capítulo.


Não deixem de ler a Bíblia:

📖 Êxodo 20:1–3

“Então falou Deus todas estas palavras, dizendo:
Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses diante de mim.”